Corremos para o Hospital, para tentar apanhar o médico logo na entrada. E assim foi, quando chegámos, ele ainda não tinha vindo, esperámos e mal o vi fui ter com ele. Expliquei o que se passava e que tinha viagem marcada para quinta-feira, e já era terça. Ele deu-me os parabéns e pediu-me para esperar. Passado pouco tempo lá me chamou, apesar de estar a atrasar o seu trabalho, demorou o tempo necessário comigo. Falámos das viagens, de todos os receios, ao que sempre respondeu, "Gravidez não é doença, e logo que a mãe respire, não há problema nenhum. A única coisa é que são as próprias companhias que proíbem a partir das 36 semanas, mas não há problema nenhum, se tiver tudo bem com a mãe.". O meu marido preocupado, continuava a questionar, "mas não há nenhum inconveniente, para a mãe ou para o bebé”, ele pacientemente continuou “ Se a mãe estiver enjoada, vai continuar enjoada, pode não ser agradável, mas não prejudica nem a ela nem ao bebé”. Gostei da forma como ele encarou tudo, nunca dramatizou, só me proibiu o tabaco e o álcool (que para mim não é nada difícil, já que nunca lhes toco), Pediu, ainda, para comer as saladas e frutas bem lavadas e carnes bem passadas e para me afastar dos cães e gatos. Ainda lhe perguntei se havia algo que não pudesse comer, ao que me disse "aquilo que já sabe", ainda insisti " E os camarões?" e aí respondeu, "bom se forem frescos e bem cozinhados pode, o problema é saber se são frescos, por isso é preferível evitá-los".
Ainda me fez uma ecografia, que logo me avisou que não deveria dar para ver nada, pois deveria estar de apenas 5 semanas pelas contas dele, ou até menos, pois os meus ciclos são irregulares e o último foi de 32 dias.
Quando olhei para o monitor da ecografia, devo confessar que fiquei um pouco apreensiva, via-se bem o meu útero e consegia-se ver perfeitamente um pontinho branco, no seu meio. Imaginar que aquele pontinho vai desenvolver-se e dar origem a um bebé, é complicado acreditar. Parece ser algo tão frágil.
Após a ecografia mediu-me as tensões e pesou-me: tinha 51Kg e estava com11/6 de tensão arterial.
Passou-me umas receitas, ácido fólico que já tomava, nausefe para os possíveis enjoos e um outro para a obstipação, passou-me ainda uma declaração para poder levar os medicamentos comigo no avião. E pronto, despediu-se e ainda disse para o meu marido, "agora leve-a a passear e a conhecer os bonitos corais da Austrália, pois ela pode nadar e faz-lhe muito bem."
Saí de lá radiante, começava a sentir-me grávida, mas ainda pouquinho.
À tarde, comecei finalmente a preparar as malas, devo confessar, que toda esta história, fez-me esquecer a minha vinda para a Austrália.
À noite foi a vez de contar à nova titia a novidade, peguei no meu exame de gravidez e quando ela chegou lá a casa, entreguei-lhe a folha e disse-lhe: "Ao Inês, vê se percebes alguma coisa do que está aqui, é que o médico mandou-me fazer umas análises, acha que estou com uma anemia, mas não percebo o que diz." Ela, olhou, e respondeu-me "Regina, não sei o que é isto, isto é uma hormona, não tem nada haver com anemias" e ia entregar a folha, quando insisti, "mas, vê bem, não tem valores de referência?", "sim, mas não percebo?", até que desabafei:"Inês, DAH!!! o que diz aí?" e finalmente percebeu,, ela que andava meio tristinha lá teve um motivo de alegria.
E assim se passou o segundo dia da minha gravidez e apenas um dia e meio nos separavam da nossa grande viagem.