quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

1ª Consulta Grávida - 22 de Janeiro 2008

No dia seguinte, após uma noite mal dormida, fomos logo de manhãzinha ao meu hospital, para ver se conseguíamos apanhar o meu médico, já que ele dava consulta nesse dia. Antes de irmos, passámos no laboratório para levantar a prova da minha gravidez. Por vezes, ainda sentia um receio que houvesse algum engano, mas, depois de abrir o envelope, soltei um sorriso de lés a lés, pois lá estava escrito a prova da minha 1ª gravidez.

Corremos para o Hospital, para tentar apanhar o médico logo na entrada. E assim foi, quando chegámos, ele ainda não tinha vindo, esperámos e mal o vi fui ter com ele. Expliquei o que se passava e que tinha viagem marcada para quinta-feira, e já era terça. Ele deu-me os parabéns e pediu-me para esperar. Passado pouco tempo lá me chamou, apesar de estar a atrasar o seu trabalho, demorou o tempo necessário comigo. Falámos das viagens, de todos os receios, ao que sempre respondeu, "Gravidez não é doença, e logo que a mãe respire, não há problema nenhum. A única coisa é que são as próprias companhias que proíbem a partir das 36 semanas, mas não há problema nenhum, se tiver tudo bem com a mãe.". O meu marido preocupado, continuava a questionar, "mas não há nenhum inconveniente, para a mãe ou para o bebé”, ele pacientemente continuou “ Se a mãe estiver enjoada, vai continuar enjoada, pode não ser agradável, mas não prejudica nem a ela nem ao bebé”. Gostei da forma como ele encarou tudo, nunca dramatizou, só me proibiu o tabaco e o álcool (que para mim não é nada difícil, já que nunca lhes toco), Pediu, ainda, para comer as saladas e frutas bem lavadas e carnes bem passadas e para me afastar dos cães e gatos. Ainda lhe perguntei se havia algo que não pudesse comer, ao que me disse "aquilo que já sabe", ainda insisti " E os camarões?" e aí respondeu, "bom se forem frescos e bem cozinhados pode, o problema é saber se são frescos, por isso é preferível evitá-los".

Ainda me fez uma ecografia, que logo me avisou que não deveria dar para ver nada, pois deveria estar de apenas 5 semanas pelas contas dele, ou até menos, pois os meus ciclos são irregulares e o último foi de 32 dias.
Quando olhei para o monitor da ecografia, devo confessar que fiquei um pouco apreensiva, via-se bem o meu útero e consegia-se ver perfeitamente um pontinho branco, no seu meio. Imaginar que aquele pontinho vai desenvolver-se e dar origem a um bebé, é complicado acreditar. Parece ser algo tão frágil.

Após a ecografia mediu-me as tensões e pesou-me: tinha 51Kg e estava com11/6 de tensão arterial.
Passou-me umas receitas, ácido fólico que já tomava, nausefe para os possíveis enjoos e um outro para a obstipação, passou-me ainda uma declaração para poder levar os medicamentos comigo no avião. E pronto, despediu-se e ainda disse para o meu marido, "agora leve-a a passear e a conhecer os bonitos corais da Austrália, pois ela pode nadar e faz-lhe muito bem."

Saí de lá radiante, começava a sentir-me grávida, mas ainda pouquinho.

À tarde, comecei finalmente a preparar as malas, devo confessar, que toda esta história, fez-me esquecer a minha vinda para a Austrália.

À noite foi a vez de contar à nova titia a novidade, peguei no meu exame de gravidez e quando ela chegou lá a casa, entreguei-lhe a folha e disse-lhe: "Ao Inês, vê se percebes alguma coisa do que está aqui, é que o médico mandou-me fazer umas análises, acha que estou com uma anemia, mas não percebo o que diz." Ela, olhou, e respondeu-me "Regina, não sei o que é isto, isto é uma hormona, não tem nada haver com anemias" e ia entregar a folha, quando insisti, "mas, vê bem, não tem valores de referência?", "sim, mas não percebo?", até que desabafei:"Inês, DAH!!! o que diz aí?" e finalmente percebeu,, ela que andava meio tristinha lá teve um motivo de alegria.

E assim se passou o segundo dia da minha gravidez e apenas um dia e meio nos separavam da nossa grande viagem.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

A História do Meu Positivo

Era segunda-feira, dia 21 de Janeiro, o início de uma semana que se adivinhava bastante stressante, estávamos de partida para a Austrália. Partíamos na quinta-feira, não de férias, mas para passar os nossos próximos dois anos, e ainda nada estava feito, a vontade não era nenhuma e as saudades já apertavam.

Foi quando logo de manhãzinha, fiz o teste de gravidez.

Desde o dia anterior, que já o tinha comprado, aliás foi o meu marido que o comprou. Não estava muito certa, estava pouco convicta que desse alguma coisa, mas devido à nossa vinda para o outro lado do mundo, o teste tinha de ser feito.

Durante a noite pedi muito aos meus anjinhos, não para ser positivo, isso seria o que Deus quisesse, mas orava para não ficar na dúvida, para ter a certeza ou que estava ou que não estava grávida, a dúvida seria terrível, pedi mesmo muito.

Era o meu primeiro dia de férias, de umas longas férias no hospital, acordei, tomei o pequeno-almoço e depois lá ganhei coragem para o fazer. Segui as indicações à risca, penso que teria as mãos um pouco a tremer, coloquei-o em cima do lavatório, controlei o tempo e fui para o quarto. Mas a ansiedade foi mais forte e antes do tempo lá fui eu espreitar, e nada, lá comecei logo a dar-me na cabeça, "tás a ver, eu disse, és uma precipitada, etc, etc." Mas... fiquei mais um pouco e comecei a ver uma coisinha cor-de-rosa, era mesmo uma coisinha, muito levezinha, nem conseguia ter a certeza se era mesmo ou se era imaginação minha, tudo o que não queria, aconteceu… fiquei na dúvida. E pensei, “e agora? O que faço?

Fui à farmácia. Mostrei-lhe o teste e a farmacêutica não hesitou, e disse “é positivo”. Fiquei parva, e insisti, “tem a certeza?” e aí ela começou a ficar na dúvida, e perguntou-me, quanto tempo tinha esperado pelo resultado, aí expliquei todo o procedimento e disse: “Aqui o teste diz para ler aos 6 minutos, mas se for uma gravidez recente para esperar até aos 10 minutos e refere que não se deve interpretar depois dos 10 minutos”. Depois desta explicação informei-a que este resultado deve ter aparecido aos 7 minutos. E aí sim, ficou na dúvida. Foi aí que lhe pedi para refazer lá o teste, uma vez que tinha levado a urina comigo. Ela pareceu-me um pouco renitente, mas lá fez o teste e referiu que aquele era para ler aos 3 minutos. Tudo bem, lá esperei os três minutos e lá veio o resultado: Negativo!

Que Desilusão! Mais uma vez, não sabia o que pensar, um teste dar ligeiramente positivo, outro negativo. A dúvida, que tanto tinha pedido para não ter. Pensava, preferia ter os dois negativos, que desta forma não pensava mais.

Fui para casa, não sabia o que fazer, continuei a trabalhar, estava a corrigir uns exames dos meus alunos, mas, não me conseguia concentrar, tentei telefonar ao meu marido, em vão, não me atendia. Lá continuei o trabalho, de vez em quando lá parava e pensava e se fosse fazer o exame de sangue, e pensava “para quê? Gastar dinheiro e mais um negativo”. Na semana anterior, tinha feito um que deu negativo, não sei o que me fazia insistir tanto nessa ideia, intuição feminina...

Terminada uma reunião, o meu marido lá me ligou e depois de lhe contar toda a história ele não hesitou e disse-me para ir imediatamente fazer o teste de sangue, terminando por dizer, “na dúvida é que não podemos ficar”.

Saí num ápice de casa, sempre a rezar para a minha mãe não me ver, não queria criar falsas expectativas a mais ninguém, fui até Valongo e fiz mais uma vez o teste. Fiquei de ligar a partir das 16H da tarde, para saber o resultado, exactamente no meio das minhas aulas. Tudo bem, dei as minhas aulas, correu tudo muito bem, consegui desligar-me, mas de repente pensei “que horas serão?”, eram 16H15, fiz um pequeno intervalo e lá fui eu ligar para o laboratório.
Que telefonema mais longo, atendeu-me uma senhora que me pediu a minha referência, dei-lha, e demorou uma eternidade, ouvia a pegar no telefone, a pousar, a pegar novamente, enfim, parecia que se passava alguma coisa, até que atendeu uma outra senhora e pediu para lhe dar o meu nome, e confirmar que se tratava de um teste de gravidez, depois de todos esses procedimentos, e depois de eu já ter riscado toda a minha agenda, ela respondeu: "É Positivo, ainda de pouco tempo, mas é positivo, tem um valor de cerca de 60, que corresponde mais ou menos a 4 ou 5 semanas." Fiquei parva, só lhe perguntei:"tem a certeza?", não me lembro de ter tido alguma resposta.

Depois de desligar, não sabia o que havia de fazer, ligar para o meu marido? tentar marcar uma consulta no médico? Pensei, “bom, esta não é uma notícia que se dê por telefone, vou tentar marcar a consulta”, tentei mas estava difícil. Não aguentei e liguei para ele, tinha de dividir aquela sensação com alguém, e após tanto tempo a imaginar como daria a notícia de uma gravidez ao meu marido, depois de imaginar, jantares, sapatinhos, livrinhos, bilhetinhos e sei lá mais o quê, a notícia foi dada simplesmente ao telefone, quase a chorar e a dizer-lhe "Filipe, deu positivo, estou grávida".

Bom, como devem imaginar o resto da aula já foi mais complicado dar, e logo que pude corri para casa, queria estar com o Filipe, queria dar a notícia aos avós. Combinámos encontrarmo-nos todos em casa dos meus pais, mas antes passaria por minha casa para estar primeiro com o mais recente papá. Antes de ir para casa fui a uma livraria e comprei um livro para os avós " O livro dos avós". Cheguei a casa e lá estava o meu marido à minha espera com um lindo ramo de tulipas brancas.

Fomos, então, dar a notícia aos avós. Chegamos lá, esperamos um pouco pelo meu sogro, e quando chegou, estando todos reunidos na sala, entreguei-lhes o presente. O meu sogro, não se apercebeu logo, até que começou a olhar para o livro e perguntou-me "é mesmo a sério isto?" Quando lhe disse que sim, bem, foi toda a gente a chorar, todos muito felizes e emocionados. Uma notícia que penso que todos ansiavam, mas que não estariam à espera nesta altura. Não posso deixar de falar na avó paterna, que apesar de não ter estado lá fisicamente presente, foi muito lembrada, por todos, e o meu sogro soltou um lindo desbafo: " Sei de alguém que iria ficar muito feliz com a notícia." Tenho a certeza que onde quer que esteja está tão feliz quanto nós, e sorte do meu bebezinhos que tem uma avó que é o seu anjinho no céu.

Quando cheguei a casa e pus-me a reflectir em tudo o que se tinha passado nesse dia, senti-me um pouco estranha. Este era o dia pelo qual sempre esperei, que sempre tinha sonhado e até às vezes receava não passar por ele. Tantas vezes imaginei-o e hoje que o estava a vivê-lo, sentia-me feliz, sentia-me excitadíssima, mas não conseguia definir mais os meus sentimentos, é uma sensação muito estranha, para além de uma grande felicidade, não me sentia realmente grávida.